Review - How I Met Your Mother


Quando meu colega de quarto me perguntou se eu conhecia a série How I Met Your Mother, dei a resposta que ele tinha ouvido da maioria das pessoas a quem ele perguntou: "Ah, já ouvi falar". E tinha ouvido falar de fato, por causa de um tal Barney que era idolatrado por tantos e por causa da atriz Alyson Hannigan, que fazia a feiticeira lésbica Willow de Buffy, a Caça Vampiros e que atuou em filmes babacas feito Uma Comédia Nada Romântica e a cine-série insuportável American Pie.

Num desses momentos de tédio em Tupã (o que acontece com frequência), ele me sugeriu assistir ao piloto da série pra ver o que eu achava. Fiquei com o pé atrás, porque não conhecia os atores (exceto Hannigan), o que pode ser frescura minha, mas é o que me atrai para escolher o que assistir, e a história não me parecia interessante, já que me parecia uma comédia romântica sem graça.

Só posso dizer que fico grato que tenha assistido ao piloto - mesmo que com legendas toscas -, porque 135 episódios depois da estréia, já sou fissurado por How I Met Your Mother e suas personagens tão bem compostas e piadas geniais. Em três meses, praticamente devorei todas as temporadas - a sexta se encerrou nesta segunda nos EUA - e estou em agonia por saber que tenho que esperar até 19 de setembro (com episódio duplo!) pra saber se o Barney... Bom, é melhor eu ficar quieto, senão espalho spoilers por acidente.

Cinco é bom demais

À primeira vista, How I Met Your Mother pode parecer boba. No enredo que se passa em 2030, o arquiteto Ted Mosby (vivido pela voz de Bob Saget, o Danny do clássico Três é Demais) narra para os filhos de que forma ele conheceu a mãe deles nos dias de hoje - no passado dele, em outras palavras.

Enquanto segue seu rumo ao casório, Ted (vivido por Josh Radnor na época atual) mostra sua vida de solteiro, morando com o melhor amigo Marshall (Jason Segel), um estudante de direito grandão e abobalhado e sua noiva Lily (Hannigan), uma professora do primário que, por trás da personalidade doce, esconde um lado bem mais perverso - e hilário.

O protagonista também tem a companhia de Barney (Neil Patrick Harris), um solteirão convicto com emprego misterioso que se gaba de poder arranjar uma garota com qualquer plano mirabolante - seja usando uma roupa de mergulhador ou inventando o Bro's Code, um manual de regras que amigos não devem quebrar.

Além dele, surge Robin (Cobie Smulders), jornalista e primeira a aparecer no caminho do arquiteto. Surge daí a história dos cinco amigos, conversando sobre suas carreiras e vidas amorosas no MacLaren's, bar que é um dos pontos de encontro fixos dos personagens nova-iorquinos.

Já ouvi essa história antes

Número fixo de amigos? Ponto de encontro fixo? Nova-iorquinos? Semelhanças à parte com a finada Friends, HIMYM tenta ser mais dinâmico, sempre tentando explorar as amizades dos cinco protagonistas. Caso não lembre, os melhores momentos de Rachel, Ross e cia. eram quando todos estavam num mesmo arco, seja num dos apês ou no Central Perk. Quando começaram a desenvolver histórias para uma dupla, trio ou etc a qualidade começou a cair. Tudo bem que Phoebe rachando a cabeça com o alarme quebrando, ou Ross bravo por causa do sanduíche roubado foram realmente hilários, mas as piadas eram muito fáceis.

Com o quinteto o humor é diferente. As intervenções na narração do Ted do futuro dão uma amplitude nos momentos cômicos, mostrando diferentes versões para uma mesma situação, flashbacks mostrando defeitos ou mancadas, que só complementam na profundidade das personagens.

Outra qualidade da série é a continuidade, pois ela consegue ser congruente e limar as pontas soltas no enredo, tal qual aconteceu com um certo bode e um guarda-chuva amarelo que foram citados antes e mostrados depois, deixando todo o programa amarrado e sem retalhos. Detalhe para certos tabefes que foram dados e lembrados, mesmo depois de um intervalo de umas temporadas. Isso só faz a expectativa crescer, assim como a vontade de acompanhar o próximo episódio.

HIMYM conseguiu reunir um seleto time de participações especiais que só fizeram a série respirar mais ar fresco ao longo dos seis anos de existência. Destaque para Britney Spears, que teve a proeza não só de espalhar boatos sobre Barney como também deixou mais suportável o arco de Ted se envolvendo com a mala da Stella (Sarah Chalke, repetindo do papel de médica ocupada de Scrubs). Menções honrosas para Jorge Garcia (Lost) fazendo graça no último Dia de Ação de Graças, Katy Perry se fazendo de inocente e o ex-Trinity John Lithgow surgindo como o apático pai de Barney.

Embora aclamada pelo público, HIMYM parece ser ignorada pelas premiações, pois nunca foi indicada a melhor série cômica, e somente Neil Patrick Harris foi indicado como melhor ator coadjuvante, pois ele faz sem esforço o mulherengo mais amado dos fãs de séries, tanto que o fato dele ser homossexual só acentua seu talento e competência como ator (e mágico!), quebrando o estigma de que artistas - principalmente atores - devem se prender à orientação sexual quando são escalados para algum papel. Dá pra ver que ele ganha destaque na série merecidamente.

A partir dessa foto, dá pra ver quem é o personagem principal? É o do canto esquerdo (Ted). Em destaque está Barney. Os outros são Marshall, Lily e Robin, respectivamente.


Mais por vir

Pode até parecer que How I Met Your Mother enrola para que o público conheça a mãe dos filhos de Ted, mas não há como negar o jogo de cintura que os roteiristas têm para que o tema não se esgote. Ainda mais agora, que a série foi renovada para mais dois anos, ela precisa dar algo para sua fanbase não se cansar das aventuras amorosas de Ted, os problemas conjugais de Marshall e Lily, as "ficantes" de Barney e as mudanças de emprego de Robin. Se o que for mostrado no futuro for produzido a partir da mesma genialidade encontrada nos últimos seis anos, os fãs estarão feitos.


Música de abertura:



Vai dizer que não queria ter uma abertura assim com seus amigos? Eu gostaria, :P

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