Ode à morte?

Este post inaugura a seção "Velho Chato". Sempre me dizem que reclamo das coisas, que pareço um velho resmungando da vida. Na faculdade então, tudo que eu comentava já rebatiam: "Para Daniel! Deixa de ser velho!" Por isso, essa seção foi criada pra desabafar sobre o que tenho direito.

Na última terça, numa das aulas de conversação na escola de inglês, um dos alunos disse que na internet era possível encontrar vídeos de mortes que realmente na vida real, que aconteceram, sejam de acidentes de carro, ou de cordas se arrebentando durante uma sessão de bungee-jumping.

É um absurdo colocarem esse tipo de vídeo na net. Para que ver uma pessoa agonizando e outras tantas gritando de horror e desespero? De que forma isso vai mudar minha vida? Por que essa curiosidade de presenciar o pior?

Infelizmente isso é um tipo de pergunta que sempre me incomodou, mas que nunca me foi respondido. E atire a primeira quem nunca viveu a seguinte situação: você está num ônibus, voltando pra casa, quando percebe que o trânsito ficou lento, e a aglomeração está desviando a rota. Entre os carros, pessoas correm pra ver o que aconteceu. Carros de polícia fazem um círculo no desvio, e um dos oficiais pedem pro ônibus seguir o mesmo caminhos que os carros da frente. Ao seu lado, todos os passageiros correm pra ver o que faz demorar a passagem do ônibus, deixando as cabeças fora do veículo. E a cena é sempre a mesma: um caminhão com um amassado e um carro em frangalhos, ou um carro com poucos estragos e uma moto destruída, deitada no asfalto, com o guidão torto, com um sujeito estirado no chão. Para concluir o circo, o mais importante: no mesmo asfalto em que os restos da moto ou dos carros repousam irreversivelmente, o sangue encharca. Passado o incidente, os passageiros do seu ônibus voltam suas cabeças para dentro e indagam, entre eles, com uma patética cara de susto: "Nossa, você viu aquilo?", ou "Meu Deus!" Só faltam admitir, aliviados: "Antes ele do que eu!"

O espetáculo da violência é um atrativo da sociedade. Já não bastam os noticiários infestando os jantares de famílias com mortes, roubos e corrupções, como usam as populares novelas pra fazer
campanhas de conscientização. (Alguém aí lembra daquela novela em que a mulher é baleada no Rio de Janeiro e a filha "sente" ela morrer? E logo depois da morte, houve a passeata da paz? Foi um dos maiores picos de audiência).

Violência gratuita. É de sangue que todos gostam. Sangue nos zóio!

(E se estavam pensando que ia colocar algum link de vídeo de mortes e tal, vão procurar no YouTube, seus sedentos de sangue!)

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