"O que você está sentindo nesse momento?" De novo?!

Tá certo que o começo de 2010 já foi marcado pela tragédia do deslizamento em Angra dos Reis, provocando a morte de 34 pessoas e mais algumas desaparecidas. Nada mais é que a obrigação da mídia de relatar o fato, relatando como, quando e por que do fato ter ocorrido, porque o público está interessado no que acontece no dia-a-dia.

O intolerável disso tudo é aguentar um "intensivão" durante toda a programação do canal, para relatar dados desnecessários. Sim, é importante realizar uma sequência de notas-pé ao longo da edição do telejornal para últimas informações, mas desde que tenha relevância. Pra quê falar que os corpos ainda não foram encontrados, ou que as pessoas estão esperando notícias de desaparecidos? Não seria mais condizente soltar apenas informações que complementem a notícia, não com esses apêndices similares a um nariz de cera?

Os links, direto do local onde houve o acontecimento, costumam sempre relatar a mesma coisa. Mas o pior é pagar um mico ao vivo. Durante o almoço acompanhei a edição de hoje do Jornal Hoje (há!) com Sandra Annenberg perguntando para Flávio Fachel sobre o ocorrido. E ele solta a seguinte pérola:

"Aquela ilha é um lugar isolado do continente".

JURA MESMO?! Parabéns, um troféu Joinha pra você!!! Poxa, tá certo que é difícil cobrir uma tragédia ao vivo e encontrar as melhores palavras para não incomodar os ouvidos, tão sensíveis nessas horas, mas...né???? Redundância pouca é bobagem!

Outra coisa que me deixa incomodado é perguntarem pro repórter em campo o que ele sente no momento. E isso já ocorreu duas vezes com o Paulo Renato Soares, que já deve estar esgotado de falar sobre Angra dos Reis. Ontem mesmo durante o Jornal Nacional, Marcio Gomes e Heraldo Pereira perguntaram a ele o que ele sentia naquele momento. Ele disse encontrar muita tristeza (e ia encontrar o que, êxtase e pura felicidade?!) e solidariedade, porque muitas pessoas vinham ajudar com doação de roupas e kits de desastres, como colchão e lençóis. Aí tudo bem, porque mostra como as pessoas podem mudar com as situações dadas - ou seria ainda o espírito de ano novo emanando essa solidariedade temporária?...

E no Jornal Hoje de hoje (há! 2), Sandra Annenberg volta a perguntar para Paulo Renato o que ele sentia no momento. Detalhe que ele estava no enterro de duas famílias que tinham sido devastadas pelo deslizamento. Daria até pra notar um certo constrangimento do repórter ao responder a essa pergunta, afinal ele sentia tristeza (a Globo descobriu a América!!!) por ver tantas pessoas chorando diante de tantos caixões com pessoas das mesmas famílias. Essa é a PIOR pergunta que se pode fazer sobre um fato tão chocante como esse. Como assim, Globo?! E pros repórteres?! Por acaso vai ser um Paulo Renato Soares Show?!

Bottomline, não estou criticando de forma alguma a importância da cobertura desse porte, afinal tudo o que ocorre é de interesse público. Mesmo assim, é preciso muito sangue frio pra evitar tais equívocos aqui citados. Mesmo assim, estou ansioso pra ver a edição de hoje jo JN pra averiguar se os apresentadores perguntarem ao Paulo Renato Soares (de novo o coitado) o que ele está sentindo. É esperar pra ver!

PS: Qualquer erro de dados vou corrigir posteriormente após encontrar o vídeo no Youtube!

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