Oscar 2010 - Um passo grande demais?

Não vi o Oscar, e vi pouquíssimos filmes indicados. O que estou postando aqui não reflete se assisti ou não aos filmes, mas sim como a premiação pode afetar a indústria cinematográfica.

Mais do mesmo. É o pode dizer do Oscar deste ano.

Mas não é tudo.

A premiação deste ano pode até ter sido reveladora. Por um lado, fiquei feliz com a premiação de "Guerra ao Terror", principalmente nas categorias de melhor diretor(a, já que pela primeira vez temos uma vencedora) e filme.

Achei legal "Avatar" não ter ganho, porque isso implicaria na tecnologia impondo-se na qualidade de um filme, onde, na verdade, o trunfo se esconde no roteiro ou na atuação dos atores. Isso pôde ser visto ao premiar o jornalista Mark Boal pelo roteiro do filme de guerra, esnobando mais uma vez Quentin Tarantino com seu majestoso "Bastardos Inglórios" e indicando o desconhecido Jeremy Renner ao prêmio - este facilmente arrebatado por Jeff Bridges e seu "Coração Louco". E aí, "Avatar"? Você recebeu indicações nessas categorias mesmo?... só ganhou prêmios técnicos né? (e PERDEU o de mixagem de som e edição de som para quem? "Guerra ao Terror", AHUAHAUHauahuhauh)

Não fosse a tecnologia revolucionária e escambau, "Avatar" estaria fadado ao fracasso. Típico de filmes blockbusters: lindos, com gráficos extremamente realistas e um fiapo de roteiro ridículo sobre ambientalismo didático - não que seja contra o assunto, deixo bem claro.

Digo isso porque até o filme dos Simpsons, que deve ter custado BEM menos, mas foi um bom uso de animação - teve até umas partes bacanas em 3D, como da casa deles sendo destruída - teve uma abordagem extremamente liberal, atual e por vezes até sarcástica - o presidente governator acatando planos de "limpar" Springfield de um assessor ambicioso na base do sorteio. E "Avatar"? Diz que é preciso preservar o meio ambiente; principalmente contra ações ambiciosas do homem? Isso já é balela; o nome Amazônia diz algo pra você? Novidade, certo? Como bem disse João Pereira Coutinho, na coluna "A culpa em 3D" da edição de hoje da Ilustrada na Folha de São Paulo:

Não nego que "Avatar" fascina os incréus com a utilização engenhosa do 3D. Mas a questão passa por saber se o 3D resiste à vulgaridade previsível da história. Não creio. Dez minutos bastam para experimentar a novidade visual de James Cameron. Ao décimo primeiro minuto, retiramos os óculos (com incômodo), bocejamos (com estridência) e sentimos que a história está vista e revista. Venha a história, por favor" (p. E8).

Estou criticando "Avatar" não por defender "Guerra ao Terror". Muito pelo contrário. É claro que esse filme independente foi selecionado por conta da premissa. É meio óbvio que a história de soldados-americanos-que-vivem-de-desarmar-bombas-no-Iraque-vivendo-cada-dia-como-se-fosse-o-último-de-suas-vidas seria um dos favoritos. O Oscar sempre deu a entender de gostar de filmes com enredos que recaem a tragédias ou a guinadas na vida. Os nomes "Quem Quer Ser um Milionário?" ou "Os Infiltrados", vencedores dos anos de 2009 e 2008 respectivamente ilustram muito bem essa idéias.

Sem dizer que as premiações entre os atores foi completamente sem graça, já que os ganhadores foram os mesmos de premiações prévias. Só um adendo com relação a Sandra Bullock, que ganhou de melhor atriz por um papel que já está careca de fazer ao longo da carreira e que lhe garatiria créditos: a da mulher forte e durona e que faz cara feia, mas que no fundo tem um GRANDE coração. Além de "Um Sonho Possível", em que ela faz a última atuação desse estereótipo - mas agora é diferente, baseada em fatos reais - dá pra citar "Crash", "Miss Simpatia", "A Proposta"...

Em suma, digo então que a premiação do filme de Kathryn Bigelow foi um passo à frente no cinema atual, preferindo dar lugar aos roteiros de qualidade do que as produções que se prendem demais às qualidades técnicas. Entretanto, deu um passo atrás ao laurear algo tão inovador quanto a Guerra do Iraque. Que os próximos filmes abordem algo mais presente, ou ao menos tente nos refletir com algo com mais "novidade".

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