Cinco meses depois, o Tigre ressurge!

Sim, sim, salabim! [/Marcelo Tas] Três posts seguidos num só dia! É por ter nada pra fazer mesmo, hahaha. Mas sem mais delongas, confiram o quarto capítulo da saga Tigre Sem Rumo! Thanks para Nivea, que deve ser a única pessoa a ler a história (e gostar), XD

(Me perdoem se a diagramação estiver uma BOSTA, copiei e colei do Word e sempre fica uma porcaria!)

Capítulo 4 – Nova linhagem


- Mas que zona é essa?!! – grita uma voz estridente, saindo da casa no meio do vilarejo. É dona Ichinose, de robe salmão, bobes imensos na cabeça e colocando os óculos extra-redondos no rosto. – Quem é a anta que quer fazer espetáculo no meio da noite?


- Osaka, vem daqui! – grita a vizinha de Shuryon Taigawa. Ela o vê sendo carregado pelos ombros, pela garota prenha.


- O que foi? É o Hokuji tendo visita de novo? – pergunta aquela velhinha que quase caiu, sonolenta. – Mas que farra hein...


- Ai, aposto que é o Kyurô. A dona Nohara não vai gostar nada de saber disso... – fala aquela moça horrorosa de antes.


- Socorro, alguém me ajude! – grita Onihime. – Minhas contrações estão piorando...ai!!! – O povo do vilarejo corre em direção dos Taigawa.


- Calma, garota...deite-se aqui. Está tudo bem? – diz dona Ichinose. Ela esquece que foi despertada no meio da noite, por causa de um lunático gritando de dor. – Há quantos meses você está grávida? Não se preocupe, sou enfermeira aposentada. Meu nome é Osaka Ichinose.


- Há...há oito meses e meio! – fala a garota, aos soluços.


- Hmm...dez centímetros de dilatação. É, não tem jeito, vamos ter que fazer seu parto aqui mesmo. Por favor, tragam toalhas quentes, uma vasilha, e gaze para o velho! Precisamos cuidar dos dois! Qual seu nome, menina?


- Onihime...e ele é meu pai, Shuryon...


- Muito bem, Onihime...esse é o momento que você esperava. É hora do seu filho nascer. Está pronta? Não se preocupe, que vou cuidar bem do seu pai, tudo bem?


- Obrigada –, diz ela.


O vilarejo se une para cumprir com todas as ordens impostas. As horas seguintes seriam cruciais para a sobrevivência dos três. Dona Ichinose não pensa em mais nada; nenhuma queixa e nada de reclamação contra o vilarejo que comanda a mão-de-ferro. Era preciso trabalhar em equipe para que não houvesse nenhum desfalque.


A velhinha que quase caiu antes e o senhor Hokuji, vestido com um roupão de seda roxo e suado de tanto se exercitar (“não toque em mim, seu porco velho!!!”, gritou a senhora), estancam o sangue do ferimento de Shuryon. A vida do velho ninja parece restaurada, embora ele aparente fraqueza em seu rosto, exausto e cheio de rugas.


Já Onihime está em seu limite. A cada “Puxe!” de Dona Ichinose, parece que sua vida está se diluindo a todo impulso para o bebê sair. “Céus, será que não vou conseguir?”, pensou a garota, desesperada. – Eu não aguento mais!!! –, ela gritou. Os vizinhos do vilarejo se solidarizavam limpando a testa ou trazendo pedaços de gelo para ela se refrescar. Outros olhavam para ela apreensivos. Só Dona Ichinose permanecia irredutível. Ela diz: – Aguenta sim! Já estou vendo a cabeça. Faça mais força e...essa não!


- O que foi?! – gritou Onihime, querendo saber o que acontecia.


- O cordão umbilical está em volta do pescoço. O bebê não consegue respirar!


- Faça alguma coisa!!!! Por favor!!!


- Acalme-se, Onihime. O bebê ainda está rosado, quer dizer que o cordão acabou de se prender. Preciso que faça ainda mais força para que eu alcance o pescoço e desenrole o cordão, está bem?


- Mas...eu não consigo! Já estou esgotada!


- Força, Onihime. Eu sei que você consegue! – disse uma voz cansada.


Era Shuryon. Levantando com um pouco de esforço, ele chega próximo da filha. Ele posiciona a espada ao lado da moça, que luta para que a criança sobreviva.


- Pai, o que está havendo? Quando o Okazuro estava em casa, eu senti uma presença assustadora. Eu tenho certeza que é ele rogando praga pro meu filho. Estou com medo! Ele não quer que a criança viva! Me proteja, papai! – disse Onihime, a princípio de choro.


- Acalme-se filha. Estou aqui. Faça o seu melhor que estou na retaguarda. – disse Shuryon, tirando o Sabre do Tigre da bainha. De pé, Shuryon coloca o Emblema na cabeça e posiciona a bainha na mão direita, enquanto a mão esquerda está de pé, com os dedos do meio e indicador levantados.


Onihime acenou que sim com a cabeça. Dona Ichinose não entendeu nada, mas gostou que a moça estava mais animada. – Vamos lá, Onihime! Seu pai está aqui para te ajudar. Puxe com toda a força!!


E ela obedeceu sem pensar duas vezes. O bebê agora está da cintura para fora. O cordão ainda estava preso ao pescoço, e Dona Ichinose não conseguia desprendê-lo. O rebento não emitia nenhum som. “Não...dá! Parece que tem alguma força que me impede de tirar o cordão!”, ela gritava. Onihime grita sem parar, “Pai, faça alguma coisa!!!”


Mantendo a posição e com a espada em mãos, Shuryon começa a sibilar palavras, incompreensíveis até para quem se aproximar dele. Todos ao redor de Onihime estranham o que aquele velho, que até então não passava de um sujeito estranho, estava fazendo. “Seria um feitiço?”, imagina a vizinha dele.


Aquelas palavras fizeram efeito. O estranho amuleto começou a brilhar sem parar, reluzindo uma luz branca e de forte intensidade, que parecia um Sol na noite do vilarejo. Todos cobriram os olhos, sem entender o que estava acontecendo.


Dona Ichinose tenta cuidar da garota enquanto protege os olhos daquela luz intensa. Onihime fecha os olhos e faz força ao mesmo tempo, não necessariamente nessa ordem. O impacto custou alguns segundos, mas de repente o clarão desapareceu. Todos abriram os olhos, assustados com a situação.


- Está aí! – gritou Shuryon. Ele continuou na mesma posição, mas a mão direita, que segurava a espada, se mexia. O Sabre do Tigre apontava, tremendo, para a garganta da criança. – O mau agouro está aí mesmo. Já o imobilizei, só preciso eliminá-lo. – Nisso, Shuryon fez rápidos movimentos com ambas as mãos e posicionou-se, como se estivesse prestes a lutar de novo.


- Como é? Você está louco?! Você não pode matar o seu próprio neto! – questionou Dona Ichinose, indignada com a atitude do ninja.


- Fique onde está, que não se machucará – disse Shuryon, sem mostrar nenhuma emoção. – É agora ou nunca.


- Mas de jeito nenhum que...


- HÁAAAAAAAAAAAAAAA! – gritou Shuryon, com o Sabre do Tigre. Com a espada virada para baixo, a lâmina iria perfurar o corpo da criança.


- NÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOO!!! – berrou Dona Ichinose, desesperada.


Todos ao redor gritaram. A velhinha que quase caiu tapou os olhos, mas os dedos estavam entreabertos, dispostos a ver o que aconteceria. A moça feia de doer desmaiou no ato. O senhor Hokuji se abraçou com a bela moça com que se exercitava para absorver o ataque.


Dona Ichinose não abriu os olhos. Também não conseguiu entender por que um ninja mataria o próprio neto. Seria uma questão de honra? Uma honra regida por tamanho fanatismo que a morte de um ente próximo é a única solução? Não é a resposta! Já está decidido, pensou Dona Ichinose; “amanhã mesmo eu ligo pra polícia e mando prender esse assassino!”


Mas Dona Ichinose não ouviu nenhum barulho abafado, de lâmina cortando nenhum tecido humano. Ouviu um estralo metálico, parecendo uma espada tocando no concreto. Ao abrir os olhos, ela percebeu que a espada estava a alguns centímetros do pescoço do bebê. Shuryon fazia tanto esforço que dava a noção que ele queria mesmo matar o neto. Mas parecia que um estranho campo de força estava acima da garganta.


- Esse jutsu é resistente, mas não é páreo para o Sabre do Tigre! – gritou Shuryon, enquanto fincava com cada vez mais força a espada no campo de força. Parecia que o velho fazia alguma obra metalúrgica, tamanha era a quantia de faíscas rosadas que saíam do local.


- Já chega! Sabre, ABSORVA! – gritou Shuryon. Neste momento, a espada brilhou e o campo de força foi impregnando-a, em alta velocidade. Recoberto por aquela massa de energia por alguns segundos, o Sabre de repente parou de brilhar e tudo voltou ao normal.


Shuryon ainda não terminou. Depois de absorver o poder maligno absorto no bebê, o velho pegou a espada com a mão direita e passou a outra pela lâmina, do fundo para a ponta. A mão esquerda ficou recoberta com aquela energia rosada. Assim, Shuryon fez a mesma posição em que sibilou as palavras. De sua mão, o poder agora era canalizado pelos dois dedos levantados e iam direto para a indumentária na cabeça do velho. A massa energética ficou amarela no Emblema e desapareceu.


O silêncio toma conta do vilarejo. Chocados pelo que acabou de acontecer, o povo pareceu não ter assimilado tudo o que houve, há questão de segundos. Dona Ichinose não hesitou em limpar o suor, sem perceber que o sangue das luvas cobriu a testa.


- Muito bem, dona Ichinose – disse Shuryon, ofegante – Agora conto com você. Faça meu neto nascer!


- Ahn, o que...ah, claro! Onihime, puxe, com toda a força!! – gritou a senhoria, perplexa com o que viu. Num instante, ela recomeçou.


A garota nem titubeou e fez mais força. Dessa vez, a criança saiu sem maiores dificuldades. Em prantos, ela começa a se espernear com vontade. Felizmente tudo acabou bem.


- Parabéns, Onihime...é um menino! – diz Dona Ichinose, chorosa. Os vizinhos nunca a viram tão sensibilizada.


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