Review: Tatsunoko VS Capcom - Ultimate All-Stars

Ouça um pouco da trilha deste jogo no player ao lado! Videos estão disponíveis no Youtube, basta digitar o nome citado no título.


No começo do mês encomendei um exemplar de Tatsunoko VS Capcom – Ultimate All-Stars para Wii que estava em pré-venda num site, e estava crente de que não iria gostar de metade do elenco de personagens. Trata-se, afinal, de um jogo de luta do estilo crossover, em que duas empresas juntam um elenco de seus personagens mais famosos para duelos em duplas. Exemplos mais famosos são o ótimo Marvel VS Capcom e o bizarro Mortal Kombat VS DC Universe, juntando na mesma arena Batman e Sub-Zero.

Mais bizarro ainda, entretanto, foi juntar os heróis óbvios da Capcom – leia-se o mala Ryu, Chun-li, Megaman e seus amigos e etc, de quem já gosto de outros jogos – com as personagens da Tatsunoko, estúdio japonês famoso por lançar não só os animes populares Speed Racer e Neon Genesis Evangelion – sendo esta última em parceria com a Gainax –, como também uma gama de super-heróis com o sufixo -MAN e fantasias de lycra e máscaras dignas de carnaval, perfeitas para representar a década de 70, época em que eles surgiram. Basta conferir a alegoria no vídeo abaixo, da seleção de personagens... o núcleo da Tatsunoko aparece desde Yatterman-2 até Ken the Eagle (ATENÇÃO, SPOILER de personagens secretos!):



Na ordem estão as personagens da Capcom: Ryu, Chun-li, Morrigan, Alex, Batsu, Megaman Volnutt, Kaijin no Soki, Roll, Saki, Viewtiful Joe, PTX-40A e os secretos Frank West e Zero. Da Tatsunoko estão os secretos Yatterman-2, Joe the Condor, Tekkaman Blade e os normais Gold Lightan, Ippatsuman, Doronjo, Karas, Yatterman-1, Polimar, Tekkaman, Casshan, Jun the Swan e Ken the Eagle.

Devo dizer, contudo, que gostei muito dessa combinação. Tudo bem que os personagens já previsíveis da Capcom são opção de jogadores mais experientes, mas é muito bacana ter a oportunidade de jogar com personagens tão...digamos, exóticos e com golpes espalhafatosos – a vilã Doronjo, por exemplo, se aproveita dos capangas para jogar rochas, prender os oponentes e até para andar de bicicleta.

Tal miscelânea no elenco conseguiu tamanha sustância que esse quadro de heróis desconhecidos pôde respirar ares estrangeiros. Afinal, sua versão original, com o subtítulo Cross Generation of Heroes, tinha previsão para ser lançada somente em terreno nipônico. Graças à jogabilidade profunda e facilitada, assim como um replay garantido, a versão americana foi lançada e ganhou mais personagens exclusivos (os secretos), embora tenha perdido um, o Hakushon Daimao, por questões de direitos autorais. No total, são 26 personagens para controlar, 13 de cada lado.


Foi esse aí que ficou de fora da versão americana, o gênio Hakushon Daimao.


O objetivo básico do jogo é do modo Arcade, que é escolher uma dupla de personagens qualquer – duas da Capcom, duas da Tatsunoko ou uma de cada – e enfrentar uma horda de duplas até alcançar o chefe final. Dependendo dos critérios de encerrar o jogo, pode-se destravar personagens secretos e até cores alternativas. Chun-li, por exemplo, pode usar roupa branca e outra preta. Outros modos de jogo são o Versus, Survival, Time Attack e o tão cobiçado modo on-line, que infelizmente deixa as lutas com aquelas “pausadas” no meio da luta, atrapalhando no momento de desferir um golpe no momento certo.

Fora esse modo on-line desapontador, a jogabilidade ficou resumida e muito fácil de jogar. Ao invés dos tradicionais seis botões de ataque, sendo três de soco e três de chute, Ultimate All-Stars disponibiliza de três de ataque – fraco, médio e forte – e um botão especial, para chamar o parceiro seja para entrar na luta ou para dar um golpe e voltar. Isso facilita e muito na hora de aplicar golpes, combos e inclusive os famigerados Hyper Combos, golpes especiais que surgem ao preencher barras de energia especiais.

Além disso, pode-se usar dessas barras para desferir Cross-over Combinations, em que os dois personagens entram na arena para atacar juntos com seus Hypers, e outras técnicas como o Baroque, que aumenta o poder dos combos e Mega Crash, para impedir que o oponente continue a atacar repetitivamente. Acredite, muito nome complicado e que parece ser difícil de desferir, mas é tudo movimento fácil de se fazer. Basta ler o manual de instruções.

Todo mundo dizia que Street Fighter IV era a retumbante volta da saga de luta nos consoles da nova geração, mas saibam que Ultimate All-Stars não fica pra trás! O estilo cel-shading – aquele que parece desenho animado – faz jus aos personagens do jogo, por seu histórico de animes e afins. Todos os personagens fazem caretas quanto apanham ou ficam bravos ao desferirem os golpes mais fortes. O legal é quando as personagens executam os golpes especiais, e traz uma animação especial. Minhas favoritas são de Polimar e Doronjo, com suas caras e bocas.

Quanto à trilha sonora, digamos que mais parece uma balada de música eletrônica, com nuances de pop. A música da fase Orbital Ring Hangar é um claro exemplo disso. Enquanto toca uma música rápida apropriada para encaixar numa rave (PQP, HAUAHUAHauhuah), o cenário é da série Tekkaman Blade. A música da tela de seleção de personagens, que está disponível no aplicativo do blog, é bem babaca de tão simples, mas gruda na cabeça de tão viciante que é.

Em outras palavras, as músicas destoam das séries referentes, e não condizem com a realidade das personagens. Mas isso não quer dizer que sejam contagiantes. Além da música da seleção, a trilha de Les Vagas é bacanuda, num ritmo lento de jazz. O que dizer então de Willamette Parkview Mall? É legal também, confira no player do blog. Mas culpe essa trilha pop pelos direitos autorais novamente; toda a trilha da versão japonesa era relacionada aos personagens, mas tiveram que trocar.

Em suma, Tatsunoko VS Capcom – Ultimate All-Stars é um jogo que traz uma série de discrepâncias: apesar da jogabilidade chegar a ser superficial, disponibiliza de estratégias que, se aprofundadas, chegam a ser cruciais numa batalha com os amigos. Apesar da trupe da Tatsunoko ser esquisita à primeira vista, e você nunca tê-los visto antes – e isso a Gamespot apontou como um defeito, WTF –, no fim você se acostuma e até gosta mais deles do que da Capcom. E digo mais, pra mim isso até é uma vantagem, pois faz você correr atrás de animes que conhecia antes. Falo isso por experiência própria, pois não consigo parar de jogar com Casshan e Polimar, apesar de minhas escapadas com Chun-li e Zero, e tento procurar vídeos desses heróis no Youtube. É um bom revival da série crossover, e quem sabe não surge uma segunda versão? Hehehe

Nota: 9,0

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